quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

PERFIL : Homenagem Póstuma ao Babalorixá Heleno Medeiros de França


     

                  Desta feita queremos estender nossas homenagens postumárias ao grande sacerdote de candomblé que foi o senhor Heleno Medeiros de França mais conhecido por todos como Pai Nino da Mustardinha. Pernambucano, nascido no bairro da Mustardinha, na cidade do Recife, com título sacerdotal dentro dos princípios da nação de candomblé nagô-egbá onde fora consagrado. Pertencia a mais alta e legítima linhagem do candomblé de nação nagô que existe no país, tendo sido iniciado no Sítio de Pai Adão, na cidade do Recife onde se organizou o culto a nação dos egbás, no Brasil. 
                   Na década de 70 esse sacerdote chegou a nossa cidade através dos babalorixás José Pedro Filho (Zé Pedro – In-memorian) e de Francisca Andrade de Souza (Mãe Tiquinha – in-memorian) que foram iniciados por ele que também iniciou a yalorixá conhecida pelo codinome de Maria de Euclides (hoje evangélica), estendeu sua linhagem espiritual a vizinha cidade de Mossoró onde também consagrou dentro dos princípios da sua estirpe a já falecida yalorixá Maria José (conhecida como Dona Zeca).
                 Por onde ele passava deixava seus ensinamentos, dando sempre bons exemplos. Um homem de princípios morais e caráter imensurável. Pai Nino quando chegou a nossa cidade, vinha de um casamento falido e já divorciado e aqui reconstruiu sua vida afetiva com uma areia-branquense chamada de Maria Antonia Araújo, da família de Joaquim Anjos muito conhecidos na salinesia.
               Atualmente a herança espiritual deixada por ele na cidade do Natal é administrada por sua filha a jovem sacerdotisa Viviane Araújo de França, consagrada á Oxum que apesar dos arrojos da sua juventude, mas com uma personalidade ajustada e consciente da missão que lhe foi dada pelo orixá, procura conciliar a sua vida particular dentro do âmbito social em que vive e se dedicar a sua casa de axé onde brilhantemente faz culto aos ancestrais africanos deixados como herança pelo seu pai. 
                 É louvável o procedimento de Viviane, no tocante a não deixar que o legado espiritual deixado pelo seu genitor fosse enterrado junto com seu corpo ou esquecido no baú da memória daqueles que um dia o conheceram e comungaram com a sua proposta religiosa.
               A história do candomblé Nagô aqui em nossa cidade tivera inicio (timidamente) com a chegada de Pai Nino no ano de 1974, pois, até então o que era difundido aqui era apenas o culto a religião umbanda que resiste até os dias de hoje. A partir daí passamos a conhecer uma nova realidade religiosa dentro de uma doutrina milenar originária do ventre da nossa mãe África e trazida para o Brasil nos porões dos navios negreiros através dos escravos que vinham trazer a sua mão de obra gratuita e escrava para trabalhar na construção do nosso país.
               Pai Nino é o marco e o elo de uma realidade religiosa que ficou intrinsecamente ligada a muitos areia-branquenses que adotaram o culto a nação nagô procedente das terras dos egbás (o nagô de Yemanjá), do solo fértil da ancestralidade africana de corrente yorubá.
Por Noamã Jagun
Edição do mês de outubro/2010

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